Cheguei ao final desse livro com uma questão
impossível de ser resolvia – adesão. Esse é um termo que usamos no consultório
para observar como os pacientes fazem uso da sua medicação de forma regular. A
grande maioria deles agravam suas doenças crônicas porque não conseguem fazer
uso regular no tratamento adotado para
cada um. Não conseguem, por exemplo, aumentar o uso da agua ou diminuir o
consumo de sal nas suas dietas. Tratamentos de abordagem fácil não progridem de
forma positiva porque a adesão é baixa. Grande parte das doenças que evoluem
mal está justamente ai – ADESÃO. Se os cientistas descobrissem como mobilizar
as pessoas para aderirem aos tratamentos e/ou outras coisas da vida teriam
descoberto a razão da existência para cura humana. A tragédia das sociedades
baseia-se ao que estamos aderidos. A aderência faz uso de alguns instrumentos –
responsabilidade – desejo de fazer – constância – envolvimento – e a ação
propriamente dita. Os mediadores mais profundos tais como: amor – fraternidade
– caridade – aumentam os níveis de assertividade colocando os resultados em
níveis considerados satisfatórios. A questão é como manter-nos focados em um
único ponto de atenção. Já ouviu falar disso?
Então, surge outro problema, a ATENÇÃO.
Manter-se ADERIDO num foco de ATENÇÃO faz essa situação aumentar os níveis de
complexidade. A pluralidade dos nossos comportamentos exige que elementos que
distraem nossa concentração favoreçam a perda da atenção e aderência. Esse é o amago das relações no Edém! A pescaria
serve de bom paradigma para entender esse processo que deve ser bem estudado ou
entendido. Deus deixou que eu decidisse, mas seu inimigo favoreceu através de
artifícios que eu fosse fisgado. Ambos precisavam possuir esses dois elementos para possuir meu controle – ATENÇÃO E ADESÃO.
O tempo passou e está quase se esgotando, mas os parâmetros continuam iguais –
ATENÇÃO E ADESÃO. Aqui está o “click” paradigmático da situação humana.
Pessoas que não gostam da rotina possuirão
maiores dificuldades. Pessoas que não rotinizam suas vidas ficarão a mercê do
acaso. Como dizia Albert Einstein “Deus não joga com os dados!” A essência das
relações com Ele nos projeta a uma dinâmica rotineira. Tudo na natureza possui
o principio da rotina. Basta olhar em volta! Dia, ano, hora, coração, pulmão,
formiga, chuva, ciclo da agua, da vida é um continuo de rotinas. Uma disco de
vinil precisa que a agulha passe sempre sobre a mesma trilha para poder
reproduzir de forma perfeita a musica. Meu computador possui dados gravados em
trilhas; a base para extrair essas informações é que as trilhas estejam ali
intactas. A questão é que as pessoas sentem-se claustrofóbicas diante da
rotina. Na ânsia de saírem dessa rotina começam a pular trilhas e daí emerge o
sentido do prazer inócuo. Um bom exemplo disso é a Coca-Cola – açúcar =
energia; cafeína = prazer; gás = satisfação gástrica; tudo isso junto gera
obesidade porque é um alimento vazio, sem nutrientes.
Satanás planta em Eva o prazer sem evidência;
“... no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como
Deus...” O desconhecido, portanto o inócuo passa a ser a ser desejado porque
ele manipula a ATENÇÃO e a ADESÃO. Nesse frenesi de paradigmas sem sentido, mas
com a proposta de ser mais do que você realmente é vê-se lançada para decidir. Esse
sincronismo inexplicável para os sentidos humanos foi a base para o homem
entrar na síndrome do pecado. As pessoas começam a desenvolver comportamentos tão
estranhos para a ótica Divina que Ela chega ao ponto de se desgostar do que
havia criado: “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que
toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então
arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no
coração”. Gn 6:5-6 É muita desilusão diante do potencial humano para fazer o
que é mal! Nessa bola de eventos comportamentais sem precedentes, onde Deus,
não possuía a menor noção do que significava o homem varrido por seus instintos,
não suporta o resultado. A historia do pecado possui valor educativo! A morte é
a complexidade do recurso a ser usado por Deus.
Jesus é o recurso da divindade para
estabelecer este novo paradigma – ATENÇÃO E ADESÃO. “E como Moisés levantou a
serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para
que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.” Jo. 3:14-15 Nós precisamos
entender que é só olhando de forma significativa que lograremos ser absorvidos pelo
conteúdo. Pode até parecer um esquizoide, mas Deus precisa de toda a tua
concentração. Um bom exemplo disso está na religião que mais conquista adeptos
hoje em dia. O ritual forte, desde um simples posicionamento em suas orações,
até a devoção sobre o nome ou imagem da sua forma, possui um transfundo de respeito
aos símbolos religiosos. Eles colocam toda sua essência a disposição daquele
momento de meditação. De longe posso até entender como atos extravagantes de
passionalidade, mas na sua essência devocional está ali concentrada no ato.
Você pode observar que não existem muitas nuances de condutas. Há uma hegemonia
na religiosidade. Isso que nós vemos neles como algo tão extremo é a prova da
relevância que a sua crença tem primazia sobre seus destinos. Explodir é o
passo final para estar no paraíso. Um tanto absurdo tudo isso, mas serve para
entender a forma como algumas culturas envolvem-se com suas crenças. “Amarás de
TODO o coração...” eles entendem o significado dessas palavras, derrepente, a muitos
só cabe critica-los pela relevância dada ao que realmente creem.
As “polis” – politeísmo – poligamia – e
outas, tem nos empurrado para pelas ribanceiras da indecisão intrínseca ao
consumismo. Essa extrategia tem conseguido fazer das “Alice (s) e as Celia (s)”
passearem pelo paraiso desapercebidas de que o foco não são elas, mas o que
está fora delas – a serpente. Os instrumentos propostos por Deus era que o
homem olhasse para fora de si mesmo – o trabalho no Edém – o sétimo dia – suas
atividades diárias – ser cabeça – ser auxiliadora idônea – tudo isso fazia que
eles olhassem para fora de si mesmos com o objetivo de formar uma imagem do
mundo exterior, seres e coisas. Ao contrario, Sattanas, propõe que você se olhe
para dentro de si mesmo – “...e sereis como Deus...”. Essa proposta de
autoconhecimento inócua fez ela romper as conexões da evidência para entrar num
mundo virtual – realidade psíquica. Para gerar essa nova maeira de perceber as
coisas ele precisava da ruptura com a realidade de Deus. Comer do fruto era o
“corte da fita”, tal qual vemos nas inaugurações! Eva abriu espaço para
construir uma cognitividade baseada nos “legos” virtuais de Satanás.
Quantos já não viram esses guindastes enormes
nos prédios para transportar todo material para levantar o edifício. O inimigo
de Deus fincou um objeto enorme com a possibilidade de fazer as coisas fora da
realidade de Deus. Fez Eva acreditar que sua construção cognitiva era superior
a de Adão. Ela poderia chegar a ser igual a de seu Criador! De um lado a
realidade de Deus, onde o interlocutor era o Espirito de Deus (Gn. 6:3), e do
outro, aquela no qual ela poderia imitar (Gn. 3:1). A maior prova de que o
homem poderia construir por si mesmo a sua realidade é a Torre de Babel. Eram
suas convicções acima da verdade de Deus e de tudo! Nós não mudamos em nada
depois de milênios!
Nossas convicções sobre qualquer realidade seguem
o mesmo trajeto observado pela bíblia:
- Você pode ser igual a Deus
- Disponho da vida das pessoas (Caim)
- Faço da minha vida do jeito eu que quero
(pecaminosidade antediluviana)
- Ignoro e zombo dos que fazem a vontade de Deus (atitude
antediluviana)
- A vida é “chata" (bebedeira de Noé)
- “Não sou o que sou” (Sodoma e Gomorra, conflito com sua
identidade sexual)
Aqui estão
as estratégias de Satanás para a raça humana. Essas são as distintas vertentes
e frentes de trabalho no qual nos enfrentamos hoje. São os diferentes anzóis
nos quais cada um é agarrado por causa do formato de construção da realidade
psíquica. Ver televisão com um olhar analítico nos dá a dimensão em como o
pacote da destruição humana se propaga e dissemina como uma praga. Quando
perdermos o controle total sobre nós mesmos; quando nossa necessidade de matar
ultrapassar o extremo da racionalidade; quando nada nos satisfaça mais em nada;
quando tudo perda o sentido da existência, então, Deus intervirá de forma “micro
e macro” como foi nos dias de Sodoma/Gomorra e Dilúvio.
Para cada ato de
construção da realidade psíquica humana houve um desencadear de resultados.